Gestão de Mananciais

estação de tratamento de água

1- Tratamento de Água:

SOBRE OS CUIDADOS NA ESCOLHA DE UM MANANCIAL (RICHTER, 1991):

 A decisão mais importante em um projeto de abastecimento de água, é a que se refere ao manancial a ser adotado. Sempre que houver duas ou mais fontes possíveis, a sua seleção deve se apoiar em estudos amplos, que não se restrinjam exclusivamente aos aspectos econômico-financeiros. A qualidade da água, as tendências futuras relativas à sua preservação e as condições de segurança devem, também, ser pesadas (RICHTER, 1991).

Nos Estados Unidos, a seleção de manancial foi normalizada pelos “Drinking Water Standards”, de 1962, que estabeleceu alguns pontos importantes (ainda válidos na atualidade):

  1. a) A água a ser aproveitada deve ser obtida do manancial mais desejável que for praticável, devendo-se evitar a sua poluição;
  2. b) Devem ser feitos levantamentos sanitários frequentes, com o objetivo de descobrir eventuais perigos potenciais à saúde.

A avaliação da qualidade da água não pode ser feita com base em uma única análise, não só porque as características da água são variáveis durante o tempo, como porque também as análises estão sujeitas a flutuações e a erros.

A noção de que é possível tratar qualquer água, e de que o tratamento pode resolver qualquer problema, precisa ser reconsiderada, tendo em vista a praticidade, os custos e a segurança permanente.

2 – Efluentes Industriais:

Na indústria, de forma geral, a água pode ser matéria-prima que se junta a outras para criar produtos acabados, ou ser utilizada como meio de transporte, como agente de limpeza em sistemas de refrigeração, como fonte de vapor e produção de energia (BRAILE & CAVALCANTI, 1979).

Em relação aos efluentes industriais e a poluição que os mesmos acarretam, faz-se necessário ter um senso de perspectiva de modo que o seu controle faça parte do contexto de uma economia planejada e de um desenvolvimento social (BRAILE & CAVALCANTI, 1979), bem como dos aspectos tecnológicos e ambientais envolvidos, no sentido mais amplo possível.

Atualmente existe um amplo leque de soluções tecnológicas para o controle de poluição dos efluentes industriais, mesmo considerando a extrema variabilidade de suas composições, abrangendo processos de tratamentos biológicos aeróbios e anaeróbios, além de físico-químicos. A caracterização desses efluentes, aliada à experiência já adquirida em plantas fabris similares, são ferramentas úteis no desenvolvimento de soluções para um determinado efluente em estudo, visando sua adequação aos parâmetros da legislação ambiental vigente, geralmente com ganhos econômicos decorrentes da diminuição ou mesmo supressão total dos desperdícios, tanto de materiais como de energia, anteriormente direcionados ao meio ambiente no entorno de tais plantas.

3 – Esgotamento Sanitário:

As questões vinculadas aos sistemas de esgotos sanitários incorporam uma conjugação crítica de fatores interdependentes, cuja combinação se dá em função do histórico de uso e ocupação do espaço urbano, das características do meio físico e ambiental, da tecnologia empregada e do meio socioeconômico, entre outros fatores. Assim, a análise das condições históricas e atuais dos sistemas de esgotos sanitários recai não só em aspectos técnicos, mas, também, na configuração do espaço urbano, nas especificidades do meio físico e ambiental, na infraestrutura disponível e na população atendida ou prejudicada com a falta de atendimento.

Os efluentes líquidos originados em uma área urbana, passíveis de serem transportados para uma Estação de Tratamento de Esgotos – ETE, podem ser classificados como:

  • Esgotos domésticos ou domiciliares – são originados principalmente de residências, edifícios comerciais, instituições e outras edificações que contenham instalações de banheiros, lavanderias, cozinhas, ou quaisquer dispositivos de utilização da água para fins domésticos.

Temos ainda: as águas de infiltração, águas pluviais e os esgotos industriais, que são os efluentes líquidos das indústrias, provenientes da utilização da água como matéria prima, meio de transporte, agente de limpeza, fonte de vapor e produção de energia.

4 –  Saneamento Rural – Aplicando os conceitos de Saneamento e Sustentabilidade:

Os conceitos de saneamento descentralizado e sustentável têm seu foco no tratamento e reciclagem de recursos presentes nos esgotos domésticos.

Há três recursos principais:

A bioenergia gerada pela transformação de material orgânico,

Nutrientes vegetais (nitrogênio e fósforo como nutrientes principais, mas também potássio e enxofre), e

Água (produzida após tratamento avançado de volumes de águas residuárias mais limpas).

O tratamento de volumes de águas residuárias é realizado de modo a que seu potencial de reuso seja preservado.

Tanto os volumes de águas residuárias mais concentrados como os menos concentrados são produzidos em residências. As águas negras (fezes e urina), águas cinzas (originárias de chuveiros e banheiras, cozinhas e lavanderias) e resíduos de cozinhas podem ser destacados. Em geral estes volumes são combinados e transportados através de sistemas de extensas redes de esgotos, frequentemente junto com águas pluviais, a fim de serem tratados em plantas de tratamento de águas residuárias centralizadas.

Uma outra proposta é a de tratar os resíduos gerados, de modo descentralizado e  ainda que parcialmente e no local de origem (residências), diminuindo o aporte destes resíduos às plantas de tratamento, dependendo da localidade e de sua quantidade, entre outros fatores a serem analisados.

Estes conceitos são amplamente aplicáveis no saneamento rural, no qual diferentes técnicas e métodos são utilizados para assegurar a qualidade e quantidade dos recursos hídricos: sistemas de águas de abastecimento rural e sistemas de esgotamento sanitário rural.

5 –  Aproveitamento de Águas Pluviais:

Os recursos hídricos são considerados bem comum e, por isso, devem ser geridos de forma integrada, garantindo aproveitamento otimizado com o mínimo de conflitos. Quantidade e qualidade são as duas formas de caracterização destes e, como tal, as águas pluviais são passíveis de sofrer alterações decorrentes de sua passagem pela atmosfera e em seu escoamento superficial. Em vez de serem reservadas, continuam sendo lançadas nas redes de águas pluviais, sem controle, impedindo seu aproveitamento adequado nas edificações em geral. A solução para tanto reside no desenvolvimento de projetos de utilização racional, visando à economia de outras fontes, especialmente as de qualidade superior, as quais devem ser devidamente direcionadas para usos mais nobres.

Em Tóquio, por exemplo, as águas pluviais constituem recurso natural muito importante. Para esse recurso potencial de água, é  possível construir grande número de “minirreservatórios” de águas pluviais em áreas urbanas, algo que já vem sendo experimentado em escala de lote residencial, aliando ainda telhados gramados para retenção e execução de planejamento de adução de água para consumo em um sistema independente do sistema de abastecimento público.


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Ricardo Camilo Galavoti

Ricardo Camilo Galavoti

Tecnólogo em Saneamento (FT/UNICAMP), Mestre em Engenharia Civil e Doutor em Ciências com concentração em Engenharia Hidráulica e Saneamento (EESC/USP), com atuação em docência do ensino superior e técnico. Pesquisador (CNPq/ EXP-D, FAPESP/PIPE). Consultoria e projetos, nas áreas de Saneamento Ambiental / Meio Ambiente e Industrial

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